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Do Brasil para o mundo: como a VIBE está se tornando um clássico internacional

A 9ª edição da VIBE – Volta de Ilhabela confirmou mais uma vez o lugar único do evento no calendário da canoagem. Realizada todos os anos no primeiro final de semana de dezembro, a VIBE é uma prova de revezamento de 90 quilômetros aberta a todas as embarcações de remo sentado, sendo especialmente popular entre equipes de OC6 e V6. Esta edição bateu recordes de participação, com 51 equipes e mais de 550 atletas encarando o desafio de dar a volta completa na Ilhabela. Com planos claros de se tornar um evento cada vez mais internacional e facilitar a logística para equipes estrangeiras, o futuro promete ainda mais. E tudo indica que a 10ª edição será a maior de todas. A TotalPaddler teve a sorte de estar presente e participar da ação, competindo em duas equipes distintas de OC6. Nesta entrevista, o coorganizador Gustavo Nogueira faz um balanço desta edição marcante e projeta os próximos passos da VIBE. Fotos Fabio Mota

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Oi Gustavo! Você pode nos contar sobre sua trajetória pessoal e seu papel dentro da organização da VIBE – Volta de Ilhabela?

Oi Mathieu! Há quase 20 anos à frente da Indice Sports Mkt, empresa especializada na organização de eventos esportivos outdoor, ganhei notoriedade realizando alguns dos mais bem sucedidos eventos de trail running e canoagem no Brasil. Na canoagem, além do KOPA – The King of Paddle e da VIBE – Volta de Ilhabela, já tive a oportunidade de organizar por quatro vezes o Campeonato Brasileiro de VA’A, todos no litoral norte de São Paulo. Em 2026, por mais um ano, fui escolhido para organizar o Brasileiro, que será realizado em São Sebastião – SP.

Na VIBE entrei como sócio em 2018, quando recebi o convite do Marcos Moller, proprietário do Paddle Club Ilhabela e idealizador do evento, para ajudar no crescimento da VIBE. Minha função no evento é a direção geral, comunicação, produção e manter a VIBE como um dos eventos mais respeitados da canoagem nacional. E por que não internacional? rsrs… Aliás, esse é o nosso grande objetivo, que a VIBE se torne um evento internacional, para que todos os remadores do mundo tenham a experiência de dar a volta na ilha mais bela do Brasil!

Para quem ainda não conhece o evento, como você descreveria o conceito por trás da VIBE – Volta de Ilhabela e o que a torna única no mundo da canoagem?

A VIBE – Volta de Ilhabela, na verdade, é uma grande festa da canoagem. Ela acontece sempre no primeiro final de semana de dezembro e serve como uma grande confraternização entre remadores e bases de todo o Brasil. É o fechamento de uma temporada e nada melhor que uma prova de revezamento, que une atletas de todo país, para se desafiarem em um dos percursos mais desafiadores (com 90k é o maior percurso da canoagem no Brasil) e mais belos do país. Além da beleza da Ilha (que se chama Ilhabela!), a raia da VIBE apresenta de tudo: águas abrigadas, mar aberto, mar flat, vento, downwind, upwind… no canal a prova é uma, lá fora é outra.

Além da prova em si, ela é realizada dentro da Marina Porto Ilhabela, que é uma marina com uma estrutura incrível e onde é a casa do Paddle Club Ilhabela. Assim, todos os anos eles abrem literalmente a própria casa para receberem atletas de todos os cantos do mundo. E isso é sentido por todos os atletas. A vibe da VIBE é diferente! hehehe. Após a premiação, realizamos sempre uma grande festa na beira da praia com banda ao vivo, uma estrutura fantástica e um clima muito agradável para todos. Acredito que por tudo isso, a VIBE é um evento desejado por todos e que não para de crescer ano a ano.

Olhando para esta 9ª edição, você está satisfeito com a forma como tudo aconteceu — desde a logística até o nível da competição e a experiência geral dos atletas?

Sim. Acredito que em termos gerais, apesar de ter sido uma edição desafiadora, foi uma das melhores edições do evento. Tudo foi muito bem planejado e organizado, conseguimos cuidar de detalhes para facilitar a vida de todas as equipes e acho que estamos no caminho certo. Obviamente, como alguém que sempre faz uma autocrítica, sempre teremos algo a melhorar e, com toda certeza, em 2026, em nossa décima edição, queremos fazer algo histórico para a canoagem brasileira e realizar um evento à altura dos 10 anos de uma das provas mais tradicionais do Brasil.

Do seu ponto de vista como coorganizador, quais foram as performances ou histórias mais marcantes da prova deste ano? O que mais te chamou a atenção?

Esse ano tivemos uma condição de mar com ondulações e ventos acima do que a previsão mostrava. Isso tornou a prova ainda mais desafiadora, apesar de todos os atletas já saberem que a Volta da Ilhabela é uma prova que conta com todos os tipos de mar e pode ficar bem ruim lá fora. Por conta disso, tivemos muitos atendimentos médicos, o que fez com que a equipe de água, principalmente a equipe médica, trabalhasse dobrado. Se fosse para dar um prêmio de melhor performance, daria à equipe médica desse ano.. rsrs…

Mas falando dos protagonistas, as equipes, em um dia de mar tão desafiador, tivemos uma equipe com atletas acima dos 60 anos de idade que completou a prova em uma OC1 dentro dos prazos estabelecidos e, por isso, merece todo nosso destaque. Mas faço questão de parabenizar todas as equipes participantes, mesmo as que não completaram a prova. A VIBE é uma prova desafiadora e, independente de resultados, todos merecem nossos aplausos.

Muitos atletas comentaram que as condições estavam mais fortes do que em anos anteriores. Como você descreveria o clima, as correntes e as condições gerais da prova deste ano?

A previsão apontava um vento de leste, que se confirmou durante a prova. Sabíamos que os atletas deveriam remar com vento contra durante grande parte do percurso. No entanto, o que realmente complicou foi a ondulação no lado de fora da ilha. Além de tornar a remada muito mais dura, muitos atletas tiveram problemas com náuseas e problemas estomacais, fazendo com que outros atletas fossem obrigados a dobrar nas trocas, tornando a prova ainda mais dura.

A corrente dentro do canal ajudou as equipes tanto na largada quanto na chegada, o que acelerou o ritmo no final da prova. Para os próximos anos, vamos considerar a possibilidade da volta ser realizada nos dois sentidos (horário e anti-horário), dependendo das condições do mar no dia do evento.

Algumas equipes mais lentas ficaram frustradas por serem interrompidas antes do tempo de corte. Como você lida com esse tema sensível e como equilibra a segurança com o desejo dos atletas de completar o percurso?

Eu prezo muito pela segurança de todos os atletas. Já senti isso na pele em outros eventos que organizei e, talvez por isso, tenha um cuidado extra em relação a esse assunto. No entanto, entendo a frustração das equipes e, se fosse hoje, teria agido de outra forma em relação aos tempos de corte.

Como já disse, a VIBE é uma prova desafiadora e nem sempre todas as equipes vão conseguir completá-la, mas acredito que podemos tomar algumas atitudes nos próximos anos para facilitar (e não prejudicar) o sucesso das equipes, desde que não coloque em risco as equipes participantes. Temos ainda uma gordura pra isso e, com toda certeza, usaremos os acontecimentos desse ano como aprendizado para fazer da VIBE um evento ainda melhor.

Este ano, um surfski K2 venceu a coroa mista — mas também foi o único surfski na largada. Isso não evidencia uma grande oportunidade para a prova atrair e desenvolver mais participação do surfski no futuro?

Com toda certeza! Eu sou um remador de surfski e sempre acreditei que a VIBE tem todas as características para que o surfski tenha um lugar de destaque na prova. Já é a segunda vez que um surfski vence a coroa (em 2022 um surfski ganhou a Fita Rosa, primeira equipe feminina a cruzar a linha de chegada), e isso também pode acontecer com a Fita Azul, sendo a primeira equipe geral.

Já fica aqui o desafio… que os remadores de surfski venham para bater de frente com as OC6s que, até hoje, sempre levaram a coroa!

O próximo ano marcará a 10ª edição — um marco enorme. O que você já pode revelar ou adiantar para esse aniversário especial? Algo novo, maior ou diferente está sendo planejado?

Já estamos trabalhando para que a edição de 2026 (nossa décima edição) seja a maior e melhor edição da VIBE. Nossa intenção é tornar todo o evento mais grandioso, mas sem perder a essência e a alma da VIBE, que fez do evento um dos mais queridos do Brasil.

Aumentar a programação é uma das ideias, com palestras e workshops que agreguem ainda mais conhecimento para os atletas presentes. Queremos contar com os melhores remadores do mundo e com equipes internacionais, que podem usar a prova como uma bela desculpa para conhecerem as belezas do Brasil (principalmente da Ilhabela).

Por fim, para atletas e equipes que desejam participar — especialmente os que vêm do exterior — você poderia explicar como funciona a inscrição, se é possível alugar canoas ou surfskis e quais opções existem de barcos de apoio durante a prova?

Como disse anteriormente, cada vez mais queremos que a VIBE se torne um evento internacional, que acolha equipes de todos os cantos do mundo. Este ano tivemos atletas de cinco países, mas queremos muito mais!

Por isso, a partir de 2026, vamos criar condições especiais para facilitar a vinda de equipes internacionais, contemplando traslados, hospedagens, passeios, aluguel de canoas, barcos de apoio, etc. Provavelmente, abriremos as inscrições em abril, logo após a realização do Campeonato Brasileiro de OC6, mas já vamos iniciar a divulgação do evento logo no início do ano para que as equipes comecem a se planejar.

Para mais informações sobre a VIBE:
Instagram @Vibeilhabela
Youtube @vibe90km
Facebook: www.facebook.com/vibeilhabela

About the Author

Mathieu Astier

A trilingual commentator and speaker for sporting events, Mathieu is the founder of TotalSUP, TotalWING, and now TotalPaddler. A V6, OC1, and V1 paddler with the Landes-based club Mana'o Va'a Landes, he has dedicated his professional life to ocean sports and paddling since 2013. With over 20 years of international experience in digital marketing and communication, Mathieu created TotalPaddler to centralize information, promote ocean-related disciplines, and unite the global community.

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